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06/12/2011
Não é novidade para os profissionais do setor sucroenergético que as operações de corte, carregamento e transporte (CCT) da cana-de-açúcar representam 30% do custo total de produção da cana, sendo que somente os gastos com transporte equivalem a 12% desse total. Para reduzir os custos dessas operações e poder centrar-se na produção de açúcar e de álcool, muitas usinas passaram a terceirizar o serviço.
Quem se ocupa dessa terceirização são os operadores logísticos, que cada vez mais precisam investir altas cifras, mostrar viabilidade do negócio e convencer o cliente de que eles podem não apenas assumir como melhorar a operação reduzindo os custos das usinas. Até mais ou menos 2008, a logística para transportar a produção do canavial até a esteira de moagem era terceirizada entre centenas de pequenos fornecedores, e feita muitas vezes de forma manual. Este cenário, no entanto, vem se alterando e os operadores logísticos integrados tornaram-se fundamentais nessa mudança.
Para isso, assumem a operação, que vai desde o canavial até a esteira da moenda, num exaustivo regime de trabalho de 24X7 durante a safra, utilizando máquinas colhedoras computadorizadas, que fazem o trabalho de cem cortadores. Muitos dos que antes empunhavam o facão para cortar a cana, agora são treinados pelas empresas de logística e se tornam operadores de colhedoras, motoristas de caminhão, tratoristas e fiscais, entre outras atividades.
Mais recentemente, a lista de operações terceirizadas foi reforçada com a entrada das práticas de preparo do solo, do plantio da muda e a aplicação de defensivos, atividades chamadas de PPA, que representam a primeira fase da logística. A terceirização das operações possibilita às unidades sucroenergéticas deixar de realizar grandes investimentos em tratores, transbordos, caminhões, colhedoras, rodotrens, entre os muitos maquinários necessários para a realização dessas atividades. Segundo especialistas na área, o aporte de investimentos que um grande player deste mercado precisaria fazer num projeto de logística CCT quase daria para montar uma usina a partir do chão.
Mas não se pode esquecer que a existência da usina depende do campo, por isso, é fundamental a realização correta das operações agrícolas, assim como a logística CCT, que é muito complexa, sendo a principal responsável pela alimentação uniforme das moendas na área industrial das usinas. Máquinas ociosas ou com cana insuficiente significam prejuízos. Para isso é necessário um ajuste fino entre a área agrícola e a industrial. Tudo tem de funcionar como um relógio. Ou seja, da estratégia de plantio até a entrega da cana na esteira.
Por tudo isso, as usinas procuram parceiros que tenham disponibilidade para investir no longo prazo, que se responsabilizem pela formação da mão de obra, que tenham disposição para adquirir conhecimento, excelência em gestão e experiência em operação de campo. Muitas ficam receosas em abrindo mão de um modelo que dominam todo o processo e que bem ou mal, dá certo.
Fonte: Idea OnLine